Início Sonho realizado e emoção marcam primeiras mudanças e entrega de chaves no Vila Garcia II        Votorantim, 09 de julho de 2020  -   23:59:17                                 
Sonho realizado e emoção marcam primeiras mudanças e entrega de chaves no Vila Garcia II PDF Imprimir E-mail
Qui, 13 de Novembro de 2014 08:26

 Acomodar os pertences no apartamento novo e conseguir, pouco a pouco, transformar o espaço em um lar com tudo que uma família precisa. Esses são desejos comuns entre as famílias beneficiadas pelo programa de Desfavelamento de Votorantim que receberam as chaves e começaram a se mudar nesta quarta-feira (12) para o Residencial Vila Garcia II. Entre as coisas que não podem faltar nesse novo lar estão a esperança de uma vida melhor e a tranquilidade para dormir sem temer a chuva e outros problemas que tiravam o sossego nas áreas verdes e irregulares.

 

Chuva? Agora só vou olhar de longe, aqui pela janela”. Com alívio, a auxiliar de cozinha Gisele Cristina Rodrigues de Almeida resumiu aquilo que mais a deixava apreensiva. Quando chovia, a enxurrada não pedia licença e invadia os poucos cômodos, levando ou estragando o que estava pela frente. Foram quatro anos “de muito sofrimento” e apertar as chaves do apartamento número 42 nas mãos, foi uma maneira de simbolizar que esse tempo acabou.

Atualmente ela mora em um imóvel locado com o benefício do Aluguel Social da Prefeitura e optou por fazer a própria mudança nos próximos dias. Com ela, vão morar o esposo e os três filhos menores, Giovana, de 6 anos, Railany, de 4 e Estevam, de 1. Mas depois de tudo arrumado, ela pretende que a filha mais velha, Maria Eduarda, de 8 anos, também venha. “Aqui eu quero tudo de melhor e o quarto dos meus filhos vai ser o mais especial porque eu sei como foi difícil para eles”, reforçou emocionada.

Lágrimas contidas e sorrisos podiam ser vistos em cada bloco, pelas escadas e nos abraços das famílias. Aqueles que compareceram apenas para pegar as chaves faziam questão de visitar o apartamento e ter ideias sobre como o espaço vai ficar. “Acho que quero sentar no meu sofá e sentir uma coisa boa, sabendo que estou no que é meu”, sentenciou Adriana Aparecida de Souza Silva, de 35 anos. Depois de abrir a porta com cuidado, ela entrou devagar imaginando como a família será feliz na nova casa. “Essa é minha nova morada, agradeço muito a Deus”, suspirou.

As mudanças levarão cerca de duas semanas e serão feitas com todo o suporte da Prefeitura, por meio da Secretaria da Cidadania, e acompanhamento da equipe de assistentes sociais da pasta. O cronograma começou pelas famílias do Vale do Sol, onde as chuvas fortes do final de semana causaram destelhamento dos barracos. O critério para ordenar as mudanças dará prioridade aos casos mais delicados e regiões mais vulneráveis, conforme destacou a assistente social. As famílias que desejarem, poderão providenciar a mudança por conta própria e a Cidadania informa que todas as chaves estão disponíveis.

Primeira árvore de Natal

Quando os portões do condomínio abriram para o primeiro caminhão de mudança, Irene Cruz Matos, de 47 anos, preferiu entrar caminhando. Emocionada e ansiosa, a auxiliar de limpeza desempregada estava abrigada com a família em uma escola municipal desde março deste ano, quando a enxurrada terminou de levar o seu barraco no Jardim Novo Mundo. Um mês antes, em outra chuva, a cozinha havia sido arrastada primeiro.

Eu não queria sair de lá, porque era só o que eu tinha, amontoei tudo em dois cômodos, mas chegou uma hora que não teve mais jeito”, lembra Irene. Com a interferência das assistentes sociais da Prefeitura e da Defesa Civil, a família foi retirada do local sem se machucar fisicamente, mas com as emoções abaladas. Já com força para contar o que aconteceu, Irene diz que caiu em depressão, perdeu o emprego e procurou ajuda no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps), onde está em tratamento.

Em meio a caixas e poucos móveis que ela ajudou a carregar escada acima, Irene se rende ao choro e fala de expectativas. Em alguns dias ela acredita que tudo estará arrumado e, no domingo, o almoço deve ser uma macarronada preparada pelo filho. Conseguir lençóis para as camas é um desejo que parece simples, mas se tornou prioridade para ela que confessa às vezes não sair de casa por não ter roupas para vestir.

Cinco pessoas viverão no apartamento. Além de Irene, o marido Vanderlei, de 48 anos, Monique, de 14, Marcos, de 13 e Marlon, de 11, esperam passar um final de ano diferente. Depois de 14 anos vivendo em um barraco, com medo e vários riscos, a mãe dessa família revela, um pouco tímida, que deseja ter uma árvore de Natal. “Nunca na minha vida tive uma, quem sabe agora será a primeira vez”, desejou.