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Mundo dos livros vira realidade em desejo de crianças PDF Imprimir E-mail
Qui, 23 de Outubro de 2014 08:28

Transportar para o “mundo real” personagens e fantasias dos livros foi o desejo de meninas de 10 e 11 anos moradoras da região da Vila Nova, em Votorantim. Elas estudam na Escola Municipal “Aurora Fontes” e conseguiram convencer a coordenação, a direção e contagiar os meninos, as professoras e todas as outras turmas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Como páginas de um livro, a realização do sonho foi sendo construída em cada detalhe e se tornou uma festa no mês das crianças, com direito a convite, teatro, produção de cenário e figurinos, cardápio especial e muita alegria no dia em que a escola se transformou no “Reino de Aurora”.

 

Aurora é o nome verdadeiro da Bela Adormecida e também da nossa escola”, apressou-se em explicar Beatriz Soares da Silva, 11 anos. No dia do evento, ela se transformou na princesa que precisou de um beijo do príncipe para despertar do sono profundo. Como também aconteceu com outras colegas, a ideia da festa alterou a rotina da casa de Beatriz, com a dedicação da mãe, que entendeu o valor da realização do desejo das meninas. “Minha mãe ficou empolgada, compramos o vestido e acessórios, ela ajudou em tudo”, orgulha-se Beatriz.

 

As mães dos meninos também foram mobilizadas, várias se dedicaram a preparar seus príncipes e outros personagens clássicos dos contos de fadas. Quando a iniciativa foi aprovada como tema da festa do Dia das Crianças, a proposta se espalhou pela escola, o que garantiu no dia do evento uma grande variedade de personagens participando da festa. O salão do baile e a mesa de lanche foram dividido entre reis, princesas, sapos e até super-heróis. “Para as crianças da Educação Infantil, a proposta ficou mais flexível respeitando a etapa do desenvolvimento e também os desejos deles”, comentou a coordenadora pedagógica Gisele Gimenes.

 

A inspiração para o desejo surgiu do livro “O mistério do desaparecimento de Feiurinha”. Conforme Gisele, a turma do quinto ano já tinha lido a história de Pedro Bandeira no ano passado, mas a ideia de escolher o tema para a festa surgiu esse ano. “Um grupo de meninas foi à minha sala e perguntou se podia sugerir que a festa de Dia das Crianças fosse de princesas, me explicaram a ideia e acabou se transformando um projeto maior, já que vem ao encontro das ações de incentivo à leitura na rede municipal de educação”, justifica a coordenadora.

 

A renda de uma festa do pastel, feita em julho, foi usada para viabilizar o evento, com o conhecimento da Associação de Pais e Mestres. Mesa decorada, taças para o brinde real, valsa para o baile, lembrancinhas e bolo de festa foram preparados com carinho. As professoras confeccionaram grandes coroas brilhantes, máscaras de sapo e os saquinhos com doces que foram distribuídos pela Chapezinho Vermelho. No final, todos ganharam um vidrinho com a poção mágica (perfume azul para meninos e rosa para meninas) que ao ser passada no pulso (apenas no pulso) garante a felicidade eterna.

 

O desejo de Feiurinha

 

Na história de Pedro Bandeira, todas as princesas precisam se unir para encontrar Feiurinha e garantir-lhe um final feliz para salvar todos os outros reinos. E a mesma mobilização se viu com as meninas do quinto ano para fazer a festa dar certo. Para isso, elas se reuniam no período da tarde, na própria escola e, assim, surgiu uma peça de teatro apresentada a todos os alunos da escola na última sexta-feira.

Bárbara Priscila de Azevedo, de 11 anos, deu vida à Feiurinha e se produziu como a princesa que sempre sonhou. A mãe e a tia ajudaram a transformar o desejo num dia inesquecível para Bárbara. “Eu sempre quis ser princesa”, assume a menina que diz só ter se sentido tão feliz no aniversário de quinze anos da prima que também foi um sonho realizado, um dia especial.

 

Ver os meninos participando foi um desafio do projeto e as meninas conseguiram. “No livro, os príncipes são todos amigos e quando as princesas estão preocupadas com a Feiurinha, eles estão jogando futebol”, contou Isadora Moreira da Silva, de 10 anos, a princesa Tiana. Mas não foi só jogar bola que atraiu os meninos. As leituras em sala de aula também fizeram vários deles mudarem de opinião sobre contos de fada.

 

Eu não lia. Achava que era coisa de menina. Mas sempre tem os homens fazendo as coisas acontecerem também”, disse Matheus Kauã Antunes, de 11 anos. Antony Gustavo de Oliveira e Luiz Fernando Albuquerque, de 11 anos, também aprovaram a ideia e descobriram que os príncipes também têm nome e importância nas histórias. “Eu nunca tinha dançado valsa e no teatro vou dançar”, explicou Luiz.

 

A fantasia e os recursos didáticos

 

Mais livros para as escolas, melhorias para as bibliotecas, estantes móveis que visitam as salas de aula e outros espaços facilitando o acesso dos alunos desde o berçário, são algumas das estratégias da Secretaria da Educação de Votorantim, adotadas desde o ano passado, para incentivar a formação de leitores.

 

Na escola “Aurora Fontes”, na Vila Nova, a fantasia dos contos de fada se transformou em recurso didático para vários tipos de trabalho. “Todos os contos clássicos foram lidos em sala de aula, a história da Feiurinha foi reescrita e foram redigidos o convite e o cardápio, as crianças atuaram em equipe, num ótimo exercício de cooperação que ficou incorporado ao conteúdo das disciplinas”, explicou a professora Vânia de Castro. Se apoiando no gênero literário, rico em descrições, ela conta que as crianças se envolveram bastante na produção da peça, construção dos personagens e muitos venceram o desafio de se apresentar.

 

A reescrita da história foi uma tarefa para Isabelle Rauany Silva, de 11 anos, que viveu Cinderela na peça e cuidou para adaptar o texto do livro ao roteiro criado pela classe. Neste roteiro, todas as princesas são importantes, mas quem as convence a resolver o mistério do desaparecimento de Feiurinha não faz parte da realeza. “A Chapeuzinho Vermelho é importante na história, ela que reúne as princesas. Todas são amigas, mesmo ela não sendo princesa também”, contou Ana Beatriz de Oliveira Gomes, de 10 anos, que participou da peça com a tradicional cesta de doces da Chapeuzinho, vestido e capa com capuz feitos pela própria avó. Fada, bruxas, rei e bobo da corte também participaram do espetáculo.